Dançando com o Planeta...

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Por muito que o ruído do mundo nos faça esquecer, é um facto que sempre lá voltamos…

 

Conscientemente ou não, voltamos aos braços da “mãe” natureza quando necessitamos de silêncio, ou de resgatar o encanto, a ligação à vida. Afinal, não é certo que buscamos a Natureza quando necessitamos de equilíbrio? Porque o fazemos, porque a procuramos, afinal?

Porque, usando as nossas próprias palavras, nós somos “natureza humana”… Somos natureza, feitos da natureza, dos mesmos elementos. Por isso lhe chamamos “Mãe Terra”, porque dá, dá conforto, sustento, encanto, amor benevolente, “lar”.

Não é apenas a beleza das suas diferentes faces com que se apresenta aos nossos olhos, da montanha ao rio, da savana ao deserto, da gruta à cascata, dos vulcões aos corais, da praia à falésia, do fundo do mar ao pico da montanha, à atmosfera, à floresta, do poder dos seus elementos e da infinita criatividade da paleta de animais e seres vivos, cores, cheiros, brisas, sabores, texturas…ela é um prolongamento de nós próprios… e se passamos muito tempo sem a tocar, sem a sentir, murchamos lentamente, porque é como estarmos longe de uma parte de nós mesmos.

A Natureza inspira-nos. A Natureza comove-nos.

 

A Natureza emana uma energia que nos reequilibra, recalibra, renova. Simplesmente não conseguimos estar longe dela muito tempo.

Já os Antigos reconheciam e celebravam os padrões que ligam Humanos e Natureza, numa melodia conjunta e inseparável.

Para os Antigos, o Planeta era entendido e sentido como um Ser Vivo, onde a vida nasce, cresce, atinge o auge, encolhe, finda e renasce, ciclicamente, a par do ciclo do próprio ser humano… uma dança infindável, que se repetia ad infinitum, e que observavam em todas as coisas. Os ritmos da Terra eram vistos como um sistema evolutivo, inteligente e sagrado, onde todas as peças se entrelaçavam, refletindo o fluxo cósmico de expansão e recolhimento, a dança criativa do universo…

Os Antigos observaram os movimentos celestes…observaram o ciclo do Sol, nascendo a Leste, crescendo em altura no céu, atingindo o seu auge, e iniciando a sua descida e pondo-se a Oeste; observaram o ciclo da Lua e as suas fases, apercebendo-se que a sua duração correspondia à duração do ciclo menstrual das mulheres, tornando-se naturalmente um símbolo do feminino; observaram a passagem das estações e as mudanças na paisagem e nos ritmos da vida, com a Vida a nascer na Primavera, a atingir o seu pico no Verão, e a recolher no Outono e morrer no Inverno, renascendo de novo na Primavera…… viram o mesmo ciclo infindável em tudo na existência…nascendo, crescendo, atingindo o auge, recolhendo, findando e renovando…renascendo…homens, natureza, e movimentos cósmicos em irmandade perpétua, expandindo, recuando, renovando, renascendo, na passagem linear do tempo.

E assim, manifestaram a dança cósmica em parceria, com as suas realizações, as suas construções e rituais e celebrações…mostrando a sua vontade e intenção de fluir com a vida, em sintonia e respeito pelos seus ritmos.

E hoje encontramos muitos dos seus lugares sagrados orientados a Leste, onde o Sol nasce e nos traz uma nova jornada, o potencial de um novo recomeço, encontramos monumentos alinhados com momentos como o Solstício e o equinócio, em que luz e escuridão são lembradas também elas parceiras na dualidade da vida.

A intenção está lá. O simbolismo, a beleza do reconhecimento: a dança do Planeta não se faz sozinha. Ela faz-se connosco. Porque somos um par.

E esta é uma das mais belas mensagens que os Antigos nos lembram.

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