Porque resgatar o elo com a Sabedoria Ancestral?

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Unicidade...
Conexão com a natureza...
Equilíbrio com as leis da vida e do cosmos…
Estes são alguns dos valores que observamos na herança ancestral.

 

Em todo o Mundo existem pessoas que se dedicam a estudar a história e o legado ancestral, nos diferentes campos da sua aplicação. E estes parecem concordar e defender cada vez mais que os Antigos acreditavam que o ser humano estava interligado com toda a existência. Acreditavam num equilíbrio maior, do qual a humanidade, a natureza e o cosmos fazem parte e que era necessário manter, e que para eles, a Terra era o elo que nutre e sustenta, a fonte ao qual todos estavam ligados, num sistema inteligente integrado no Cosmos. Assim, honravam esta ligação e as leis naturais, assinalando e celebrando em comunidade os ritmos e ciclos da natureza.

Ao mesmo tempo, a ciência tem vindo, nos últimos tempos, a questionar-se com cada vez mais frequência, se estaremos de facto separados de tudo o resto, perspetiva que nos habituámos a partilhar no entendimento moderno… “Ser moderno” tem estado associado, em grande parte, à sobrevalorização das nossas dimensões física e mental, com especial destaque para a racionalidade e para o foco no resultado. Já o espaço para a dimensão emocional, por exemplo, tem ficado em segundo plano, sendo entendida até há bem pouco tempo quase como uma fraqueza humana, encontrando poucas oportunidades para se conhecer, testar e expressar. Por esta perspetiva, estaremos de facto separados desde logo de uma grande parte de nós próprios: a nossa vivência, experiência, ligada ao momento presente, onde sentimos, vivemos e nos conduzimos aos resultados, que tanto valorizamos. Pois a vida acontece durante o processo e não no final do mesmo, onde encontramos o resultado.

Ser moderno” parece estar inerentemente associado à sobrevalorização do visível, do testável, do racional, controlado e palpável. Talvez porque isso nos dê uma alegada sensação de segurança. Mas se há mais mundos dentro de nós, também é importante dar-lhes espaço e considerá-los de igual forma na construção da perspetiva sobre quem somos. As emoções não são visíveis, mas existem e podem ser até muito intensas e provocar grandes impactos. Os pensamentos e ideias não são palpáveis, mas estão ligados às emoções e conduzem à manifestação física das vontades e intenções, e aos resultados.

Talvez tudo isto tenha de facto muito mais importância do que fomos levados a crer no mundo moderno. Há um mundo invisível bem “sentido” e profundo a operar constantemente nos bastidores da vida, e a manifestar resultados, consciente ou inconscientemente, pois estamos constantemente a pensar e a sentir.

E se o pensamento é, como dizem, um impulso elétrico, então ele provoca estímulos. E as emoções são magnéticas, por isso, atraem ou repelem. Se somos electromagnéticos, então somos emissores de estímulos e magnetismo, e recetores de igual forma, interferindo assim com o ambiente à nossa volta, pessoas, lugares…

Por outro lado, também ouvimos dizer que o Sol e a Terra são eletromagnéticos...

 

Sob este ponto de vista, para além de todas as ações que empreendemos e dos seus impactos mais evidentes, poderá existir uma dança eletromagnética de fundo a operar continuamente entre nós e entre o Sol e a Terra, que influencie tudo à nossa volta? Se sim, de que forma poderá isto ter impacto em nós, no outro e na vida à nossa volta?

Com o desenvolvimento da física quântica começa-se agora a abrir caminho para um entendimento cada vez mais próximo de poder afirmar que tudo está realmente interligado. E é interessante verificar que encontramos reflexos deste entendimento no que nos foi deixado pelos antigos, de que conheciam o seu lugar no esquema das coisas e exploraram formas de se relacionar com a vida de uma maneira saudável, olhando a natureza como parceira e aproveitando os fluxos da vida, para manifestar a própria vida.

No entanto, ao olharmos para nós neste ponto da história, parece que estamos mais focados em destacar os aspectos de competição, sobrevivência, escassez e conflito, na natureza.

De facto, o que pensamos nós atualmente sobre a vida em geral, a condição humana e a nossa relação com o mundo? O que nos faz sentir, por exemplo, o entendimento que nos foi transmitido de que a Vida resultou de um “acidente na biologia” e que só “cá” estamos por acaso?

A ideia do acaso, assim como a ideia da competição e da sobrevivência, podem contribuir para a sensação de separação do resto da existência, pois se cada coisa está separada das outras, então existe por si mesma, só e desempoderada. Ao mesmo tempo ajudam a retirar significado e responsabilidade, fazendo com que pareça que tudo o que fazemos tem pouco impacto sobre os outros e sobre a vida, pois se está separado não tem ligação…

Afinal, separado ou ligado? Acaso ou propósito?

 

Talvez a resposta comece onde encontramos significado… E se começamos a descobrir que estas noções nem sempre aqui estiveram, e nem sempre fizeram parte daquilo que somos, vale no mínimo a pena ir ver se há beleza nas mensagens que nos deixaram os Antigos, e se com elas podemos construir uma ponte entre o moderno e o ancestral, que ligue o melhor dos dois mundos e nos renove um pouco a perspetiva sobre a vida, o outro e nós próprios.

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Sofia Santos, Experiências do Ser

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